Campo de Concentração de Dachau
Eu acho mesmo que o que os olhos não veem, o coração não sente.
Desde que tomei conhecimento do Holocausto, desde que aprendi mais sobre este acontecimento que marca a história mundial, desde que soube da existência dos Campos de Concentração que eu queria visitar um. O mais conhecido é o de Auschwitz na Polónia, e espero um dia ir a esse, mas como me encontrava na Alemanha e passei uns dias em Munique decidi que queria ir visitar o Campo de Concentração de Dachau.
Eu fui um domingo de manhã, é muito fácil chegar lá, basta apanhar o comboio S2 até Dachau Banhof, depois apanham um autocarro e em menos de uma hora desde o centro de Munique chegam lá (eu comprei o München XXL All Day Ticket (8,80€) que cobra todos os transportes que precisam). A entrada no campo não é paga podem é optar por ter um guia-áudio que é 3€ para estudantes, que foi o que eu fiz.
O Campo de Dachau foi o primeiro campo a ser construído, foi o campo que serviu de exemplo para todos os outros campos, foi um campo que começou por se destinar apenas a presos políticos mas que chegou a abrigar mais de 30.000 prisioneiros (5 vezes mais do que o suposto).
A verdade é que assim que passei pelo portão que diz "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta") senti logo uma atmosfera muito pesada, senti logo um peso enorme.
No campo é possível visitar o edifício principal onde antes eram os escritórios, a cozinha, os duches e que agora é um museu onde toda a história do nazismo e do campo é contada. Eu comecei a minha visita por aqui, é uma visita longa pois há muita informação para ser lida, muitas fotografias e até objetos dos prisioneiros. Depois visitei os bunkers que é um autêntico cenário de terror, muitas celas, pequenas, sem condições, destinadas à tortura.
De seguida, bastante abalada, dirigi-me às réplicas das barracas que abrigavam os prisioneiros (nenhuma das barracas originais está lá, estão apenas marcadas no chão). Aqui foi mais uma vez visível a falta de condições com que milhares de pessoas viveram, as 'casas-de banho' se é que assim se podem chamar eram utilizadas para provocar o desconforto e a humilhação, os prisioneiros lutaram por uma cama que nem um pouco de conforto oferecia, guardavam um prato como se fosse o que de mais importante que tivessem na vida (e era, ter um prato com as poucas condições que havia era sem dúvida uma mais valia).
Terminei a minha visita no Crematório, bastante organizado, com uma sala para se despirem, uma de desinfecção das roupas, outra para esperarem enquanto não entravam na câmara de gás que era apresentada como zona de duches, a sala com os fornos, e ainda outra sala onde amontoavam os corpos à espera de ser cremados. Esta zona fica à parte da zona principal do campo, é como se estivesse escondida.
Eu fui sozinha e não o aconselho, é difícil lidar com tudo o que se vê ali, para mim foi impossível não chorar, e acho que realmente não temos noção do que se passou até ver. E aliás acho que o que sabemos é capaz de não ser tudo o que realmente se passou dentro daqueles muros e vedações.
Milhares de pessoas morreram naquele sítio e é uma parte da história que nunca poderá ser esquecida, não é só uma parte da história da Alemanha, é algo que faz parte do mundo.
Visitar um Campo de Concentração é sem dúvida algo duro mas é algo que todos deviam fazer.
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